segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Se arrependimento matasse.



Como sabe quem me acompanha, tenho um filho de 4 anos, rapaz - R-A-P-A-Z!! - que tal como a grande maioria dos rapazes, é um miúdo muito físico e que adora brincadeiras parvas de rapazes tipo brincar às lutas, aos acidentes com carros, às corridas sem destino, dar abraços apertados que mais parecem esganamentos e outras coisas do género.
Quando consigo ir busca-lo à escola, fico a apreciar ao longe estas libertações dele e dos amigos, e sempre me pareceram atitudes comuns a todos eles, saudáveis e sem motivos de preocupação.


Mas,se para a grande maioria das mães com as quais convivo tudo isto é (felizmente!) normal, há sempre alguém que não acha o mesmo.


Façamos então este exercício:
   Imaginemos que nestas disputas constantes dos miúdos, há uma mãe que insiste em estar sempre a intervir em defesa da criança dela, que não espera que o filho se defenda, que nem lhe dá tempo sequer para reagir pois ela já está lá em cima da situação ainda a coisa não acabou de acontecer.
Imaginemos que esta mãe não repara que o filho estava a adorar este engalfinhamento colectivo (sim, porque os apertos estavam a vir também da criança dela) e acode a separá-los de imediato enquanto tu assistes à cena de braços cruzados a 1 metro deles.
Imaginemos que de seguida, e mesmo contigo ali ao lado, ela decide puxar o braço ao teu filho e o obriga a pedir desculpas ao filho dela.
Imaginemos que (pasmem-se!) tu ficas com tamanha cara de parva a ver a cena que nem consegues reagir enquanto vês o teu filho com ar de injustiçado e humilhado pedir desculpa ao puto, porque era um adulto que estava a mandar.
Imaginemos ainda que no meio disto tudo, o tal miúdo ainda manda um murro ao teu filho, que essa mãe não viu (ou entendeu não ver).


Era uma ocasião festiva. De celebração. E eu não quis estragar a noite dos outros.
Mas vim com a minha noite estragada para casa. Por frustração. Por arrependimento de não ter ido lá de mão na anca defender a minha cria. Eu devia ter-lhe dito na hora que não precisava de pedir desculpa porque não tinha feito nada de errado.
Não é a primeira vez que algo do género acontece com os mesmos intervenientes.
Eu sei, eu sei que o meu filho não é o suprassumo do sossego, e não conseguiu ficar sentado à mesa quieto durante as 5 horas que durou o jantar, mas também sei que não é por ser obcecada e andar ali de roda dele a toda a hora que gosto menos dele e que o meu filho é menos importante que os filhos dos outros. Porque se eu estou ali ao lado e a vê-lo, sou eu que tenho de dizer se ele deve ou não pedir desculpa, se deve ou não ser castigado.
Mas para que fique o registo, foi mesmo a última vez que me calei.
Da próxima vez vai-me saltar a tampa, e vou estar-me nas tintas para a etiqueta e a ocasião.
Ai vou.

2 comentários:

Magda disse...

O quê?! Havia de ser comigo. Seja lá quem o onde fôr. Haja paciência para essas mães. Cm muito fazia-te as queixas a ti antes não?!

raquel disse...

Minha querida como eu te entendo!!!
Também eu tenho um rapaz, RAPAZ! E também eu já engoli muitos sapos mas agora decidi que não engulo mais!
E esse é muito difícil, demasiado grande para digerir.
Um beijinho*