tem dias em que é uma grande confusão.
É a casa que fica confusa e muito mais desarrumada, são as prioridades que se confundem mais ainda, são as hormonas pós-parto que andam confusas durante mais tempo, e por aí fora.
Mas o que mais me custa nisto tudo, é gerir este amor que tenho para eles; é nunca saber se eles conseguem sentir que os amo de igual forma; é este medo de que não esteja a ser justa no tempo e na atenção que dedico a cada um -marido inclusivé.
Penso muito que a Mafalda não tem a mesma dedicação que o João teve. E sinto aquela culpa.
Penso muito que o João possa sentir-se magoado quando lhe digo que não posso brincar com ele porque a mana tem de mamar ou porque tenho de ir adormecer a mana.
Penso muito que o meu marido pode andar a sentir-se esquecido e não mo diga.
Aqui há dias o João esteve doente. Acordou a meio da noite a chorar e a gritar. Estava com febre e assustado porque queria vomitar (ele odeia, fica mesmo assustado quando quer vomitar). Mamããããããããããããããã!!!! Eu estava a dar de mamar à irmã. Foi lá o pai. Levou-o para o quarto de banho. Ele vomitava e chamava por mim. Vomitava e chamava outra vez. E eu sem poder confortá-lo. Larguei a Mafalda no berço e fui a correr dar-lhe mimos. Ele chorava no meu colo porque queria que eu me deitasse com ele. Ela chorava no berço porque ainda tinha fome e eu a tinha deixado. E eu desato num pranto sem saber para onde me virar.
Hoje é mais um desses dias de difícil gestão. O João está adoentado e por isso fiquei com os dois em casa. Ainda não me habituei a ter de me dividir para eles. Aflijo-me quando tenho de decidir. Se calhar nem tenho de o fazer. Se calhar há outras maneiras de resolver isto e eu é que ainda não cheguei lá.