É a casa que fica confusa e muito mais desarrumada, são as prioridades que se confundem mais ainda, são as hormonas pós-parto que andam confusas durante mais tempo, e por aí fora.
Mas o que mais me custa nisto tudo, é gerir este amor que tenho para eles; é nunca saber se eles conseguem sentir que os amo de igual forma; é este medo de que não esteja a ser justa no tempo e na atenção que dedico a cada um -marido inclusivé.
Penso muito que a Mafalda não tem a mesma dedicação que o João teve. E sinto aquela culpa.
Penso muito que o João possa sentir-se magoado quando lhe digo que não posso brincar com ele porque a mana tem de mamar ou porque tenho de ir adormecer a mana.
Penso muito que o meu marido pode andar a sentir-se esquecido e não mo diga.
Aqui há dias o João esteve doente. Acordou a meio da noite a chorar e a gritar. Estava com febre e assustado porque queria vomitar (ele odeia, fica mesmo assustado quando quer vomitar). Mamããããããããããããããã!!!! Eu estava a dar de mamar à irmã. Foi lá o pai. Levou-o para o quarto de banho. Ele vomitava e chamava por mim. Vomitava e chamava outra vez. E eu sem poder confortá-lo. Larguei a Mafalda no berço e fui a correr dar-lhe mimos. Ele chorava no meu colo porque queria que eu me deitasse com ele. Ela chorava no berço porque ainda tinha fome e eu a tinha deixado. E eu desato num pranto sem saber para onde me virar.
Hoje é mais um desses dias de difícil gestão. O João está adoentado e por isso fiquei com os dois em casa. Ainda não me habituei a ter de me dividir para eles. Aflijo-me quando tenho de decidir. Se calhar nem tenho de o fazer. Se calhar há outras maneiras de resolver isto e eu é que ainda não cheguei lá.
10 comentários:
Percebo tãaaao bem o que dizes. Há um ano atrás passava exactamente pelo mesmo.O Inverno foi duro, só sonhava com o Verão! Ficar sozinha com os dois afligia-me...Com o tempo as coisas melhoram, todos se habituam, as decisões -vou a um ou a outro -tornam-se menos pesadas! Tudo a correr bem...beijinhos
Obrigada!
Aguardemos então pelo Verão!
Beijinhos
Minha querida.
Imagino que deva custar muito fazer esta gestão. O peso, a culpa, o medo ... sempre lá.
Se já com um estas coisas nos martirizam passar para dois, imagino que se complique.
Acredito que a seu tempo e conhecendo-te tudo se irá rearranjar e encontrar o equilíbrio e os tempos certos.
Com calma, muita calma vai lá.
És uma pessoa e uma mãe muito especial!
Um beijo cheio de carinho. Muito.
Um beijinho enorme!
Obrigada minha querida, beijo grande
😘
O Santiago nasceu em Julho e em Agosto a Gabriela ficou o mês todo em casa de férias. O pai tem o café e passa pouquissimo tempo em casa. Fui obrigada a habituar-me, a saber lidar com a situação e às tantas as coisas começam a correr melhor. Os segundos nunca saberão o que é ser-se filho único, é nunca ter-nos a 100%, mas eles têm algo que os 1º não, mais uma pessoa para os amar e mimar até mais não. beijinhos e força, estes primeiros tempos não são nada fáceis.
Sei exactamente como é.
Uma coisa que eu fazia e faço muito, sobretudo quando estou sozinha com as duas e de alguma maneira precisam as duas da minha atenção, é pedir a ajuda da mais velha com a mais nova, tipo "vamos as duas mudar a fralda da mana?", coisas assim. Ela sente-se importante e eu consigo tratar da mais nova.
Beijinhos e força!
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