O meu ideal de vida era assim mesmo. Viver o dia-a-dia sem correrias, sem sentir o tempo cheio de pressa a escorrer-me por entre os dedos, sem chegar a casa quase à hora de deitar o meu filho.
Não ligo a luxos. Gosto de jantar fora e de ir de férias, mas fora isso, não me lembro assim de nenhuma excentricidade que me fizesse sacrificar momentos em família para a conseguir.
Este fim-de-semana falou-se no oposto. Em conversas familiares, falou-se de Angola, dos luxos que muitos têm lá e cá. Falou-se dos grandes carros, das grandes casas, das grandes farras, das grandes? vidas que por lá se vivem. Ouvi tudo aquilo sem nada invejar. Não concebo ver o meu marido 3 ou 4 vezes num ano. Não gostava nada que ele deixasse de ir buscar o João à escola. Nem de estar tanto tempo sem ver os meus pais. Não sou capaz de me ver nessa vida em prol de um carro xpto, de um casarão com piscina ou umas férias no Dubai. A não ser por necessidade, se não tivesse mesmo outra escolha.
Não digas isso, a tendência é esta! - dizem-me convictos.
Mas por muito que se esforcem, não me convencem. Confesso que por momentos me senti fora do contexto, por pensar tão diferente. Veio-me à cabeça até se não seria eu a estar errada ou desactualizada. Afinal de contas, em vez de seguir a tendência, estava a caminhar para o lado oposto.
Mas a verdade é que sinto mesmo que a minha família precisa de muito pouca coisa material para ser feliz.
Os meus luxos são outros. São o tempo em família. O tempo para os afectos, para o silêncio.
São a calma e os sorrisos deles...
Porque é apenas e só isso que um dia quero levar desta vida.

5 comentários:
então já somos duas fora de contexto...
Por cá já se falou muitas vezes em emigrar e a minha resposta é sempre a mesma... Só aceitaria se não tivermos o que comer e nunca aceitaria separar-mo-nos... Dinheiro nenhum paga o tempo que perdemos uns dos outros!
Há coisas tão mais valiosas que as coisas que o dinheiro pode comprar! Concordo contigo em absoluto.
Como podes imagiar esta questão já nos ocorreu algumas vezes.
E dilacera-me pensar se um dia tiver mesmo que ser.
Fujo a cada instante desse pensamento. Desse medo...
Gostei muito deste teu texto. Infelizmente, penso muitas vezes em ir embora. Não por querer uma grande vida, mas porque simplesmente cá não consigo quase ter vida profissional. E custa pensa em ir embora, porque sei que no dia em que sair de novo, não volto mais. Porque aos poucos e poucos, todos os meus amigos e companheiros de profissão vão. Não porque querem uma grande vida, mas porque se não foram os anos que gastaram a estudar foram um desperdício. São decisões difíceis. Assim como a decisão de largar tudo e ir à procura dessa vida mais calma que vocês anseiam :) Espero que um dia ganhem a coragem para a tomar... é que quem muda Deus ajuda! Um grande beijinho
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