O que eu fui encontrar!
Um livro muito cutchi, cutchi ( mais fofinho era impossível! ) que a minhã mãe me ofereceu em miúda, na esperança de que as suas duas ricas filhinhas fossem umas meninas amorosas e muito bem comportadas...
Não teve muita sorte. Fomos sempre levadas da breca e passavamos a vida a desentender-nos.
Mas este livro traz-me boas recordações. Foi ao lê-lo que decidi que, um dia, quando fosse grande, a minha filha teria o nome de uma das irmãzinhas (vamos ver, vamos ver...).
Quando o encontrei, fiquei com vontade de o ler todo outra vez, na esperança que o livro funcionasse como uma máquina do tempo e me deixasse ter outra vez 11 anos, nem que fosse por escassos minutos.
Pois bem, tenho a dizer que tão depressa o comecei a ler como desisti.
Toda a magia que este livro tinha para mim na altura, não faz o mínimo sentido agora, de tão floreadas e dramáticas que são cada palavra de cada capítulo.
Um exemplo:
<< A Srª Fleurville tinha duas filhinhas muito boas e gentis, tão amigas, que nunca bulhavam. Vê-se muitas vezes irmãos e irmãs zangarem-se, arreliarem-se e virem fazer queixa aos pais quando já é impossível saber quem tem razão. Nunca tal sucedia com Camila e Madalena. Faziam sempre o possível por se harmonizar.>>
Mais outro:
<< Sofia disse: a Margarida tem razão, Camila. Eu é que fui a culpada. Fui eu quem primeiro tratou mal a pobrezinha da Margarida, que defendia os teus morangueiros. Fui eu que te fiz zangar empurrando a Margarida e atirando-a ao chão. Abusei da minha força. Fizeste muito bem em me ralhar. Mereci-o. Mas tu, Margarida, perdoa-me. Sê generosa com a Camila. Eu sei que sou má... Sou tão infeliz! >>
E outro:
<< Oh mamã! Minha querida mamã! Fui muito má! Dei um grande desgosto às minhas amiguinhas! Mas foi sem querer. Apanhei-lhes todas as flores do jardim e agora não têm nada para dar à mãezinha delas no dia dos seus anos. E elas, em vez de me ralharem, beijaram-me! Tenho tanta pena de ter feito o que fiz! >>
Podia colocar aqui mais de mil exemplos como este, que estão espalhados nas quase 200 páginas do livro. Mas optei por nao ler mais nenhum.
Decidi fechar o livro e preservar assim toda a magia que ainda guarda.
Já dizia o outro:
"Nunca voltes onde foste feliz."

5 comentários:
loool! Eu também devorei o livrinho!!! Lembro-me que já na altura me tinha parecido um pouco exagerada tanta bondade, mas agora... que enjôo!!!!!!!! Não volto lá nã nã nem pensar! Medo.
Sinistro... É só o que me ocorre...
Beijoca
:)
Há coisas que mais vale não remexer.
Perdem todo o encanto que estava guardado na nossa mente.
Beijinhos*
Já me fartei de rir. Fez me lembrar o Gabriel e o primo Rodrigo a discutirem quem é que tinha a culpa, e a quererem ser os donos da culpa, sim que eles queriam ser os donos da culpa, mas isso era antes, que agora já não a querem nem dada sem discussões.
Beijinhos.
ahahah parece uma historia contada por uma criança.
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