Já se passaram 2 anos. E sim, para mim o tempo voou. Todos os dias sinto que o tempo passa muito depressa por nós. Todos os dias desejo ter mais tempo para saborear nas calmas os nossos momentos. Nestes dois anos, nem sempre me deitei tranquila, achando que lhe dei todo o amor que ele precisava. Às vezes ainda perco o sono a pensar nisso. Mas cá dentro, bem lá no fundo, eu sei, e sinto, e vejo, que ele é um miúdo feliz. E isso lá me vai sossegando.
O João anda sempre bem-disposto e sorridente. Parece que está sempre tudo na maior para ele.
Adora correr, gosta da liberdade que isso lhe dá. Vejo-o feliz nessas corridas. Vejo-o feliz a brincar com tachos e panelas e a fazer de conta que me está a ajudar a preparar o jantar. Vejo-o feliz a brincar com os pneus que há no recreio da escola nova. A comer gelatina. A brincar com os avós e com a madrinha.
Vejo-o feliz quando chego do trabalho. Às vezes sinto-lhe o coração a bater quando corre para me abraçar. Pego-lhe ao colo, aperto-o, cheiro-o, dou-lhe muitos beijos. E ouço-lhe sempre um suspiro, um suspiro de alívio por me ter de volta. Quando amamos muito, temos muito medo de perder esse amor. O suspiro dele denuncia isso.
Mas com o tempo ele aprenderá que nunca me vai perder. Que eu vou sempre voltar para ele. Todos os dias. Todas as vezes que ele sentir saudades. Ou medos. Ou tiver alegrias para partilhar.
Vai descobrir que a nossa família é o seu porto de abrigo. O maior aconchego de todos. O melhor lugar do mundo.