Andamos num dilema: mudar ou não mudar o nosso filho de escola?
A Educadora dele vai sair. Fizeram-lhe uma proposta de um outro colégio, com maior estabilidade e melhores perspectivas profissionais para o futuro. Ou seja, se ele continuar ali, vai ser com uma educadora nova, e sem garantias de que para o ano e nos anos seguintes se mantenha lá.
Eu adoro a Educadora dele. É muito meiga e carinhosa, sem ser aquele género totó e cismadinha e alarmista. É muito alegre, bem disposta e descontraída. Transmite boas energias. É muito cuidadosa com eles, mas sem ser o género mariquinhas e sem andar sempre "não vás para aí que te magoas, não faças assim que podes cair". E eu gosto muito desta forma de estar dela e de ela lidar com os miúdos, porque se identifica muito com a nossa forma de educar. Irrita-me um bocado quando estamos com outras pessoas (principalmente com os avós) e que estejam constantemente a andar atrás dele com medo que a criança caia e esfole os joelhos. Cair faz parte. Eu cá prefiro que ele caia do que transmitir-lhe constantemente aquele medo de fazer as coisas, de andar livre, só para o proteger dos tombos. Gosto que ele seja destemido, aventureiro e curioso, e que seja ele a descobrir por ele próprio que às vezes também pode cair. Mas que nem sempre é preciso chorar. Raramente me levanto se o vejo cair. Só se vir que se magoou a sério (não sou desnaturada, ok?). E ele também raramente chora quando cai.
Bem, mas adiante.
Tudo isto para dizer que a Educadora do João fez um excelente trabalho e que eu acho que, se ele é assim todo despachado e alegre, a ela o devemos também (ao fim e ao cabo, neste último ano, ele deve ter passado tanto tempo com ela como comigo...).
E agora ela vai embora e eu fiquei mesmo triste, a ponto de ponderar mudá-lo para o colégio para onde ela vai. A vantagem de o mudar agora é que já não ia precisar de o mudar aos 6 anos, quando ele passasse para a escola primária, pois este colégio tem também ensino básico e secundário. E depois acho que uma mudança nesta altura talvez fosse menos dolorosa porque ele ia para um sítio diferente mas ia com a mesma educadora. As saudades dos amiguinhos também não iam ser tão difíceis de suportar porque ele só chegou a conviver com eles um ano. Além disso ele é muito sociável, por isso não é isso que me preocupa tanto. O maior dilema é outro e tem a ver com o tipo de educação.
O colégio onde ele agora anda é mais pequeno, mais familiar, e ele tem muita liberdade lá. Já o colégio para onde vai a educadora, é um colégio grande e de freiras (católico, portanto).
Eu sou católica. Mas normalmente estes colégios católicos têm educações muito rígidas e são cheios de regras. É óbvio que eu quero que o miúdo seja bem educado e tenha regras. Mas uma coisa é ter regras, outra é viver de regras, de intransigências. E é isso que nós temos medo que possa acontecer com esta mudança. O João é um miúdo tão bem disposto e feliz que me custa sequer pensar que com esta mudança ele possa perder essa alegria.
Bem sei que pode apenas ser uma ideia errada esta que eu tenho dos colégios católicos. E que não ajuda eu não conhecer ninguém que tenha lá os filhos, ou seja, trocar impressões nem sequer é possível.
Por isso agendamos para segunda-feira uma reunião com a directora pedagógica, para tirarmos dúvidas e conhecermos o método de ensino e as instalações.
E depois, temos que nos decidir.
Mas que não está fácil, não está.