Já aqui falei várias vezes dos meus anseios por uma vida calma no campo, de como eu gostava de ser destemida o suficiente para largar a vida que aqui tenho, a minha casa, o meu trabalho, e mandar-me para o interior. De preferência para mais perto dos meus pais. Gostava de pegar numa casa com um bom terreno, recuperá-la ao nosso gosto e plantar lá umas coisas.
O meu ideal de vida era assim mesmo. Viver o dia-a-dia sem correrias, sem sentir o tempo cheio de pressa a escorrer-me por entre os dedos, sem chegar a casa quase à hora de deitar o meu filho.
Não ligo a luxos. Gosto de jantar fora e de ir de férias, mas fora isso, não me lembro assim de nenhuma excentricidade que me fizesse sacrificar momentos em família para a conseguir.
Este fim-de-semana falou-se no oposto. Em conversas familiares, falou-se de Angola, dos luxos que muitos têm lá e cá. Falou-se dos grandes carros, das grandes casas, das grandes farras, das grandes? vidas que por lá se vivem. Ouvi tudo aquilo sem nada invejar. Não concebo ver o meu marido 3 ou 4 vezes num ano. Não gostava nada que ele deixasse de ir buscar o João à escola. Nem de estar tanto tempo sem ver os meus pais. Não sou capaz de me ver nessa vida em prol de um carro xpto, de um casarão com piscina ou umas férias no Dubai. A não ser por necessidade, se não tivesse mesmo outra escolha.
Não digas isso, a tendência é esta! - dizem-me convictos.
Mas por muito que se esforcem, não me convencem. Confesso que por momentos me senti fora do contexto, por pensar tão diferente. Veio-me à cabeça até se não seria eu a estar errada ou desactualizada. Afinal de contas, em vez de seguir a tendência, estava a caminhar para o lado oposto.
Mas a verdade é que sinto mesmo que a minha família precisa de muito pouca coisa material para ser feliz.
Os meus luxos são outros. São o tempo em família. O tempo para os afectos, para o silêncio.
São a calma e os sorrisos deles...
Porque é apenas e só isso que um dia quero levar desta vida.